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Radio Multicultural

Ele completaria 105 Anos -  Patrimônio Histórico da Portela Chico Santana                                                     

22 SET 2016
22 de Setembro de 2016


 “Pra mim, tudo começou em dezembro do ano passado, em Atibaia, no lançamento do cd Tuco e Batalhão de Sambistas, quando Fernando Paiva manifestou seu interesse em fazer uma homenagem a Chico Santana em 2011 pelo seu centenário. O "problema" é que tinha representantes de todos os outros grupos junto. Todos abraçaram a ideia. Mas isso já vem de pouco antes, ainda em Uberlândia, quando eles lá já tinham feito uma roda em homenagem ao mestre.


A primeira roda do evento nacional de 2011, envolvendo todos os grupos de, em princípio, Uberlândia, São Paulo e Porto Alegre, foi em janeiro, em Uberlândia. Nunca vou esquecer daqueles dias.


Depois veio Glória ao Samba. Não fui, mas pelas fotos e vídeos, dá pra ver que foi algo pesadíssimo.


Terreiro de Mauá. Gripado e com febre, fui ver a homenagem. Emocionante. Fecharam a rua e tudo mais. E o coro das pastoras me deixou atônito.

Terra Brasileira. Não fui, mas vi todo mundo muito feliz nas fotos. Não nas fotos posadas, porque ali, todos ficam felizes. Mas nas fotos dos momentos espontâneos. Todos felizes.
Projeto Resgate. A alegria natural do pessoal do Resgate deu o tom da roda.
Nesse meio tempo, houve uma roda no Rio, com o Jequitibá de lá.
Eis que, dois dias depois do aniversário de 100 anos que Chico Santana faria se estivesse vivo, surge a tão esperada roda na Portelinha.


Em primeiro lugar, posso até arriscar imaginar que, desde meados da década de 60, que a Portelinha não se enchia de sambistas da mais alta estirpe e melhores pedigrees do cenário nacional, não se enchia de samba, emoção e lágrimas. Sim, teve gente que chorou!

24 de setembro de 2011 é mais um dia que eu nunca mais vou esquecer na minha vida, dentre alguns que eu já tive o prazer e honra de viver com esse pessoal, que em outro momento chamei de "uma nova sociedade". Esses grandes sambistas do cenário nacional são obviamente desconhecidos da população, como o grande mestre Chico Santana, gênio de pouca popularidade, foi traído e não traiu jamais.


24 de setembro de 2011 também foi o dia de uma das maiores amarguras da minha vida, ao ter chegado atrasado e não ter visto o primeiro bloco da homenagem com Projeto Resgate, Glória ao Samba e a turma de Uberlândia. Era pra eu estar lá! Nunca vou me perdoar.



Mas cheguei a tempo de ver o que aconteceu depois. De ver as pessoas lá. Umas das mais importantes vivas na história da Portela. Monarco, Waldir 59, Tia Eunice, além de Áurea Maria, Tia Neide Santana, João Baptista M. Vargens, Carlos Monte e meu papa Sérgio Cabral. Quando Terreiro de Mauá, Terra Brasileira e o Jequitibá do Rio começaram o segundo bloco e eu me dei conta do que tava acontecendo, não me contive. Abraçei o Fernando Paiva incontrolavelmente. E a cada música executada, mais lágrimas vinham, até o pranto se tornar mais contido e passar a ser chorado interiormente. 

O terceiro bloco foi imendado. Todos juntos. Marcelo Baseado me puxou pra dentro da roda, me entregaram um pandeiro e o Paiva puxou o bloco pra rua. Não desfilei no Pega o Lenço e Vai, em fevereiro, nem na Portela, na década de 30, mas agora posso imaginar como tenha sido. Saiu todo mundo da Portelinha, Estrada do Portela afora, cantando Chico Santana, relembrando pra Oswaldo Cruz os sambas que o bairro tanto ouviu outrora...”

Este Trecho de Chico Santana é como se fosse falar da Portela, Hoje não vou terminar!


Fonte: Dicionário Cravo Albim

 

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